O abastecimento regular de navios com etanol abre uma nova frente para os biocombustíveis brasileiros e amplia a importância da engenharia de materiais, do monitoramento da corrosão e da confiabilidade operacional.
O Porto de Santos iniciou uma nova etapa no uso de etanol como combustível marítimo. Segundo notícia publicada pela Autoridade Portuária de Santos em 23 de outubro, o abastecimento do navio CMA CGM IRON, realizado no dia 19, marcou o início das operações regulares, dando continuidade à experiência pioneira de julho. A iniciativa reúne CMA CGM, Copersucar, Bunker One, AGEO Terminais, Santos Brasil e a Autoridade Portuária de Santos.
Para o Brasil, essa evolução representa uma oportunidade de conectar sua experiência na produção e movimentação de etanol a um novo mercado internacional. Para a engenharia, traz uma questão essencial: como assegurar a integridade dos sistemas que transportam, armazenam e transferem esse combustível até os navios?
A transição energética também passa pelas tubulações
A adoção de novos combustíveis exige avaliar toda a infraestrutura envolvida: dutos, tanques, bombas, válvulas, mangotes, conexões, revestimentos e elementos de vedação.
Na análise da Oil Tech Brazil, a expansão do etanol marítimo reforça a necessidade de integrar qualidade do combustível, seleção de materiais e gestão da integridade desde o planejamento das operações.
A compatibilidade precisa ser verificada para as condições reais de serviço. Estudos do Oak Ridge National Laboratory mostram que o comportamento de metais, polímeros e elastômeros em contato com combustíveis contendo etanol depende da composição do meio e das características de cada material. Por isso, resultados obtidos para uma determinada mistura não devem ser automaticamente extrapolados para outra aplicação.
Corrosão: compreender o mecanismo para definir a solução
O uso de etanol requer uma avaliação específica dos mecanismos de degradação que podem atuar sobre a infraestrutura.
Pesquisas apoiadas pela agência norte-americana PHMSA documentam a possibilidade de corrosão sob tensão em aços expostos a determinados etanóis combustíveis. Oxigênio dissolvido, contaminantes e condições eletroquímicas estão entre os fatores investigados. Isso reforça a importância de avaliar conjuntamente o combustível, o material e as tensões presentes no equipamento.
Como abordagem de engenharia, essa avaliação pode orientar:
- Caracterização do fluido: acompanhamento da composição, da água e de contaminantes relevantes.
- Monitoramento da corrosão: seleção de cupons, sondas de resistência elétrica e outras técnicas conforme o mecanismo esperado.
- Inspeção dos ativos: definição de métodos capazes de identificar os danos considerados na análise de integridade.
- Investigação microbiológica: quando houver condições e evidências que justifiquem avaliar a participação de microrganismos.
- Seleção de materiais e barreiras: verificação da adequação de ligas, revestimentos, liners e vedações.
Esses recursos devem compor um programa integrado. A medição da perda metálica, por exemplo, precisa ser complementada por métodos de inspeção adequados quando houver preocupação com trincamento.
Como a Oil Tech Brazil pode contribuir
Essa nova demanda se conecta às áreas de atuação da Oil Tech Brazil em corrosão, materiais e integridade de dutos e sistemas industriais.
A empresa pode apoiar operadores, terminais e parceiros tecnológicos na estruturação de soluções para a cadeia logística do etanol, incluindo:
Diagnóstico e avaliação técnica
Análise das condições operacionais, do histórico dos ativos e dos mecanismos de degradação relevantes para cada instalação.
Programas de monitoramento da corrosão
Definição de pontos de acompanhamento, tecnologias de medição e critérios para interpretação dos resultados e tomada de decisão.
Seleção de materiais e avaliação de compatibilidade
Apoio à escolha de materiais metálicos, termoplásticos, revestimentos e componentes de vedação, considerando as condições específicas de exposição.
Investigação de corrosão microbiologicamente influenciada — MIC
Integração de análises microbiológicas e evidências de corrosão quando essa investigação for pertinente ao sistema.
Avaliação de alternativas de reabilitação
Estudo de soluções com liners e outras tecnologias, condicionado à compatibilidade química, aos requisitos mecânicos e à qualificação necessária para o serviço.
O objetivo é transformar dados de campo e conhecimento dos materiais em decisões que contribuam para a segurança, a disponibilidade e a vida útil dos ativos.
Uma nova oportunidade para a engenharia brasileira
O avanço do etanol na navegação amplia o espaço para competências que o Brasil desenvolveu ao longo de décadas na cadeia dos biocombustíveis.
Na visão da Oil Tech Brazil, a consolidação desse mercado também dependerá de infraestrutura confiável, acompanhamento técnico e capacidade de antecipar mecanismos de falha.
A transição energética ganha escala quando a inovação no combustível é acompanhada pela integridade dos ativos que tornam seu uso possível.
A Oil Tech Brazil está disponível para discutir os desafios de corrosão, materiais e integridade associados ao transporte, armazenamento e movimentação de etanol e outros combustíveis.
Fonte da notícia: Autoridade Portuária de Santos — Etanol passa a abastecer navios regularmente no Porto de Santos, 23/10/2026.
Artigo elaborado a partir da notícia citada, com análise técnica da Oil Tech Brazil. A atuação descrita apresenta possibilidades de contribuição da empresa, sem indicar participação na operação anunciada.
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